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No dia da Rádio, entrevista a António Matias (Gadgetpriority)

GadgetPriority1 – Qual é a importância da rádio atualmente?
A rádio é a maior e mais antiga rede social. Importa referir que as origens da rádio remontam ao século XIX, à descobertas de Hertz, Tesla, Marconi e Padre Landell de Moura, quando perceberam que era possível propagar no espaço as ondas electromagnéticas. A rádio está a recuperar o seu espaço e economicamente vai haver mercado para antenas, transmissores e retransmissores.

2 – Como surgiu o seu interesse pela rádio?
Primeiro numa perspetiva amadora, aliás como nos pioneiros, apaixonei me depois pela técnica. Mas foi desde criança que tive o fascínio pelas comunicações de rádio. A rádio tem um sentido mágico, uma vez que lançamos uma sinal e aqui e é percecionado noutro lado.

O primeiro contacto com a rádio foi como recetor. O apelo por trabalhar nestas áreas surgiu aos 14 anos, quando contruí um barco telecomandado e fui experimentá-lo no lado do Parque das Caldas da Rainha. Estavam lá uns construtores que estavam a trabalhar e tinham uns walkie talkies e por isso me fizeram perder o controlo do barco. Ainda pensei que era uma avaria e fui rever os circuitos todos e percebi que estava tudo bem e que o problema tinha sido uma interferência. Noutras ocasiões, quando o barco deixava de responder compreendi que se devia a interferências de outras emissões de rádio. Fui explorar o tema e descobri o rádio amadorismo. Tentei entrar mas não consegui pois só permitia a licença a partir dos 16 anos e eu ainda tinha 14.

Sempre quis trabalhar nesta área. Construí antenas e emissores para os amigos, mas economicamente não tinha viabilidade. Só se tornou possível com o aparecimento da internet, uma vez que veio facilitar o processo de venda para todo o mundo. A internet, que podia à primeira vista ser vista como possível destruidora da rádio, veio, no fundo, ajudá-la. Comecei com uma empresa de antenas (já tinha antenas militares no Kosovo, Afeganistão, Bósnia, etc.) e comecei depois a receber encomendas de outros exércitos (Alemanha, Eslovénia, Áustria…) e comecei a ganhar espaço. A rádio está a recuperar o seu espaço e economicamente vai haver mercado para antenas, transmissores e retransmissores que eu produzo e vendo online. Tenho uma marca portuguesa de rádio recetor único em Portugal.

3 – Como vê o futuro da rádio?
A rádio nunca deixou de evoluir. São emissões de ondas hertzianas que transportam informação e portanto quando pegamos num telemóvel estamos a usar rádio, quando vemos televisão, quando abrimos a porta de um carro, quando usamos um drone ou quando ouvimos música através de bluetooth. O primeiro termo para designar a rádio foi precisamente wireless (wireless quer dizer via rádio)!

“O empreendedorismo é arranjar novas soluções para problemas antigos”, citando Faraday. Atualmente as empresas já voltaram a utilizar a rádio, porque é menos dispendiosa e é mais eficiente. A rádio está novamente a ocupar o seu espaço, que é a operacionalidade, entre pessoas e serviços.